quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Resenha: Apologia da História ou o Ofício do Historiador

resolvi colocar minha resenha aqui para socializar o conhecimento, contém as minhas idéias em relação tanto a Bloch quanto ao livro e principalmente por não ter a resenha dele nos sites... isso ajuda quando outras pessoas forem fazer ;)
espero que ajude... bjus


BLOCH, Marc Leopold Benjamin. Apologia da História ou O ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

Ligiane de Meira[*]

Apologia da História ou O Ofício do Historiador

Marc Bloch nasceu na França no ano de 1886 e morreu em 1944 fuzilado pelos nazistas durante a II Guerra Mundial, tendo participado ativamente da Primeira Guerra Mundial entre 1914 e 1918. Juntamente com Lucien Febvre fundou a Revista dos Annales iniciando os estudos acerca da História das Mentalidades, problematizando os seus acontecimentos, não se detendo apenas aos fatos. Além do livro em questão, escreveu outras obras célebres como Os Reis Taumaturgos e A sociedade Feudal.

Seu último livro Apologia da História ou O Ofício do Historiador escrito em cativeiro e inacabado tornou-se uma leitura obrigatória aos historiadores por condensar as primeiras idéias da Escola dos Annales. O livro é disposto em cinco capítulos, sendo o último inacabado. Em suma o livro busca desconstruir a escola historiográfica anterior – os Metódicos, que chamam de positivistas – criando um novo método para os historiadores. Buscando assim a interdisciplinaridade, e um diálogo com as Ciências Sociais, não se atendo apenas aos fatos, mas sim a problematização, aliando a outras áreas do conhecimento para se chegar a um saber racional e cientifico – nota-se aqui que Bloch, assim como historiadores anteriores (metódicos) não renunciou a História quanto ciência.

Num primeiro momento, Capítulo I: A história, os homens e o tempo, traz em seu título o que o autor pretende representar: o homem quanto sujeito da sua história. Não mais uma História atrelada apenas aos fatos, às datas, aos relatos. Busca-se a partir de então, uma história que consiga compreender as relações que se deram através dos fatos, suas problematizações e seu contextos históricos. Indicando dessa maneira que o seu objeto não era o passado, mas o homem, mais precisamente os homens no tempo. Porém nunca se esquecendo de aliar o passado com presente, uma vez que as indagações do presente são o que fazem o historiador voltar-se para o passado.

No Capítulo II: A observação histórica, busca-se através da observação histórica os testemunhos e sua transmissão. O historiador, na sua leitura, não deve se atrelar apenas aos documentos escritos, mas deve trabalhar também os testemunhos não escritos, em particular os da arqueologia. Deixando de ser obcecado pelo relato, sabendo que não vai conseguir saber e conhecer tudo a respeito do passado, construindo assim um conhecimento pautado em vestígios – uma vez que o historiador não têm contato direto com seu objeto de estudo –, reconstruindo esse passado, apoiado-se não apenas na História, mas aberto a outras possibilidades que as outras ciências podem ceder. O autor indica que o passado estará sempre em processo e progresso, mudando muitas vezes seu modo de compreende-lo, sendo que poderá ser escrito de maneira diferenciada de acordo com a visão de cada historiador e/ou do leitor.

Em A Crítica, capitulo III, nesse capitulo Bloch desenvolve uma “tentativa de uma lógica do método critico”, para que a História pudesse compor o rol das ciências, deixando transparecer que a História para Bloch realmente é uma ciência e que precisava ser reconhecida como ciência igualmente como as outras – como ciências naturais, por exemplo, mesmo que seus antecessores tenham tentado fazer isso, mas ainda considerando a História como inferior –, Marc Bloch tenta justificar a História repassando um método próprio. Com isso o historiador mostrará ao homem um novo caminho “rumo à verdade e, por conseguinte, à justiça”

No capitulo IV: A Análise Histórica o autor usa como exemplo o juiz e o historiador, discutindo se a história deveria julgar ou compreender. Toma como defesa que o historiador deve compreender e não julgar, não é trabalho do historiador julgar outras civilizações, por exemplo, e sim de compreendê-las. Revelando que uma sociedade não é melhor nem pior que a outra, e revelando que é por meio da análise história que se inicia realmente o trabalho do historiador, sempre atento para os julgamentos. Também defende a idéia de que o historiador é quem faz o seu recorte histórico e, consequentemente “escolhe e peneira” o seu ponto de estudo, indicando que não é obrigatório o saber de todo o conhecimento do passado, uma vez que a noção de fonte é ampliada.

No último capítulo, sem título e inacabado, foram analisadas as causas dos fatos históricos, e que tais causas não são postuladas e sim buscadas, não tendo como pré-determinadas – aqui fazendo uma crítica ao positivismo –, que um acontecimento é atrelado ao outro e que as produções do próprio historiador terá consequências e influências.

O livro é utilizado até os dias de hoje como leitura obrigatória no ensino de história, principalmente quando se trata de teoria, por informar como se estabeleceu as primeiras idéias da Escola dos Annales. Assim nota-se a influência historiográfica atualmente – afinal ainda escrevemos como Annales – e os que colaboraram para a historiografia, sendo fundamental para o entendimento da História. Seguindo esse pensamento não se pode desvincular que uma Escola influenciou a outra.

No decorrer da leitura, Bloch reafirma que não consegue negar seus “pais” (metódicos), o livro em várias partes transparece como um manual para o historiador, assim como Langlois e Seignobos escreveram o seu.

Bloch tenta escrever como um historiador filho do seu tempo, século XX, deve proceder com as idéias repassadas, não mais buscando a verdade absoluta, uma vez que até mesmo as disciplinas ditas exatas como a física é revolucionada com as teorias de Einstein sobre a relatividade. E principalmente a angústia que traz dentro de si do forte nacionalismo construído pelos metódicos, do conceito de nação que repassaram, que construiu as idéias de que uma nação é superior a outra, como o de Hitler que queria formar a sociedade ariana superior a outras sociedades.

O pensamento de Bloch tanto em Apologia da História quanto em seus outros livros visava compreender, problematizar, contextualizar, etc., não apenas estudando os fatos isolados, mas também entendendo-os, iniciando primeiramente com a História das Mentalidades, abrindo as possibilidades de análises, de fontes, de escrita, dando certa liberdade ao historiador para não se ater apenas aos documentos oficiais e seguir etapas metódicas para a construção da História.



[*] Acadêmica do 3º ano do curso de História Licenciatura na Universidade Estadual de Ponta Grossa

31 comentários:

Ligi disse...

7,8 XD

Raphael (-,-)zZ disse...

Muito boa no entanto um pouco sintética d+
^^
eu to neste exato momento fazendo a resenha desse mesmo livro, o problema é que eu não o li, estou só me baseando no áudio de um seminário apresentado por colegas de classe (Espero q minha prfa n leia isso).

O.o

vlw ai!

Anônimo disse...

Muito boa a tua resenha. Foi sintética, mas passou a informação realmente necessária - o que todo mundo procura na rede ao buscar uma resenha.
Ajudou-me muito a compreender esse livro, ainda mais por não tê-lo pessoalmente.

Anônimo disse...

Ótima a resenha!!! Síntese bem acabada e quem quiser mais que leia o livro... Me ajudou muito nos estudos.

Julia Mainardes Lopes disse...

Sou formada em História e professora, estava pesquisando para uma reciclada e encontrei sua resenha que muito me ajudou á relembrar os estudos da faculdade.
Valeu!

Anônimo disse...

Esta resenha está muito boa, continue assim, a net precisa de pessoas como você que se dedica a ler bons livros e expor suas experiências. Sou professor de história de Araçatuba / SP.

Filosofia Moderna disse...

Valeu mesmo. Quero ainda fazer um blog como esse para também ajudar os estudantes e professores que precisam.
Muito bom ter gente como vc na net.

Anônimo disse...

Gostei. Estou curiosa para ler o livro.

Anônimo disse...

Gostei! Ajudou-me a produzir minha resenha sobre o livro. ;-)

Lidia disse...

Adorei, ajudou bastante compreender mais um pouco sobre ele.
Obrigado

Anônimo disse...

salvou minha vida!

Anônimo disse...

Ótima resenha. Sou formada em História e li várias vezes este livro durante meu curso. Continue assim, pois você escreve muito bem!

Anônimo disse...

SSua resenha esta muito boa. Ainda vou pegar o livro emprestado na biblioteca, mas ja estou ansiosa p/ ler.

Filomena disse...

Linda resenha, me ajudou mt até porque não tive oportunidade de ler o livro.

Stefany Alves disse...

Ola. me chamo Stefany Alves, estou graduando em História pela UFT. A sua resenha é de vital importância para os leitores, devido conter informações precisas da obra de Marc Bloch, um grande pensador e fundador da Escola do Annales, que ao meu vê, contribuiu muito para uma nova roupagem da historiografia. entendemos que a leitura deste autor é um tanto complexo, mas você soube muito bem coloca-las de uma forma simplista para que os leitores tivesse uma melhor compreensão.. Meus Parabens!

Carlos Cavalcanti disse...

Oi, sua resenha é muito boa, mostra com simplicidade o que retrata o livro Apologia da História ou o Ofício do Historiador de Marc Bloch. Bem objetivo e direto.
Parabéns.

michele disse...

ola, gostaria de deixar tambem meus agradecimentos por sua otima resenha que muito me ajudou na interpretacao do livro. Estou montando um seminario sobre ele! michele estudante do 3 periodo de historia da UCB Rio de janeiro.

Anônimo disse...

Seu trabalho está muito bom, estou me preparando para a prova de Mestrado em História e estava precisando ler um trabalho como o seu para firmar minhas idéias, obrigado por socializar conosco.

João disse...

Me ajudou muito! obrigado

Anônimo disse...

Muito boa, parabéns!
É sintética por que é uma resenha e não uma análise.
Um abraço!

Mestrando em História - UFPB

Anônimo disse...

Ótimo resumo.

Prova de metodologia amanhã sobe este livro. Tentei ler, juro que tentei - mas faltou a Bloch ser objetivo e claro no que tentava passar. Não recomendo a leitura ninguém.

Primeiro ano de História - Unesp Assis.

Anônimo disse...

Achei muito boa voce seguiu justamente as mesmas regras q sigo nas minhas resenhas e fichamentos

Claudia Gomes disse...

Boa Resenha. Sintética e explicativa sobre onde o autor quer chegar. Ajudou muito. Eu li o livro e é exatamente isso que eu encontrei.
Somente acrescentaria a proposta de Bloch sobre a necessidade de organizar a pesquisa em temas para o estudo dos aspectos particulares de uma sociedade daí a proposta de um "estudo dos problemas" necessidade de se eleger "problemas", daí a grande contribuição para a Historia Comparada.

Anônimo disse...

Parabéns pela resenha.
Tenha certeza que serve de base para outras pessoas pesquisarem. Realmente muito boa!!!
Adriana- Estudante de História
UFS -SE

Anônimo disse...

oiee...
gostei mtoo da sua resenha ...
mto mais mtoo boa msm, meus parabenss!!!
ela vai me ajudar bastante!!
beijos!!!

Cleber disse...

Parabéns pela resenha... me ajudou muito... recebi esse texto no 1º semestre da Facul... e estava pesquisando sobre...

Valew

Anônimo disse...

Muito boa essa resenha...tenho uma prova amanha sobre este livro, e a mesma abriu minha mente!
Parabéns!!!

Anônimo disse...

Parabéns pela resenha, você conseguiu fazer do difícil algo simples, o que não é fácil.Este livro de Marc Bloch é muito bom, e fico feliz em ver pessoas comentarem sobre ele.Faço História na UFPB,e o professor de Introdução aos estudos históricos no 1° período do curso nos apresentou à Bloch justamente com Apologia da história ou O ofício do historiador.Recomendo a leitura para o público em geral.

Anônimo disse...

'' O historiador é como o ogro da lenda,onde fareja carne humana, sabe que ali está sua caça ''.Marc Bloch

Anônimo disse...

adorei sua resenha, eu ja tive contato com essa obra, mais nao deu pra ler toda, muita informativa, vlw
Sther Andrade

Hedra Andrade disse...

Muito boa sua resenha,um exemplo claro de como se faz esse tipo de trabalho acadêmico. parabéns.